11 de Dezembro
Domingo, 22h00
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Estou sem vintém. Aliás, tenho um vale dos
correios de 500 escudos que recebi dos meus pais mas estou a evitar de os
levantar porque senão depressa ficam feitos em trocos. O meu camarada terá que
me abonar o bilhete.
Recebi duas cartas da minha namorada, na
Sexta-feira. Suplica-me para lhe continuar a escrever e a amá-la. Na carta que,
brevemente, lhe vou escrever, dir-lhe-ei que nunca deixei de a amar.
No último dia que estive de serviço não
cheguei a fazer a Ronda. O turno
anterior, da meia-noite às
três horas, não me foi acordar, ou seja; não acordou o turno que o rendia.
Provavelmente, também eles ficaram a dormir. Felizmente que não houve azar. Uma
encrenca destas pode dar direito a ficar “à
pega” com uma “porrada” de todo o
tamanho e ir-se malhar com os ossos no mato.
Tenho trabalhado alguma coisa em desenho e hoje fiz um trabalho de cartões de boas festas, para um sargento.
Neste momento ando a ler uma biografia
de Leonardo da Vinci que retrata a
sua vida artística e a relação conflituosa com os Médicis, senhores de Florença e patronos das artes. Aliás, ando a
devorá-la porque a leitura já está quase no fim.
Estou impressionado com o legado deste
génio à humanidade.
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