1966
21 de Novembro.
Segunda-feira, 09h00.
Estou novamente no quartel da Amura. Venho aqui amiudadas vezes não apenas para falar com o meu camarada, que não pode sair do quartel por estar detido, mas, também, porque do cimo destas muralhas centenárias, do tempo dos descobrimentos, da Fortaleza de São José da Amura, mais conhecida por quartel d’Amura, se desfruta de uma exuberante panorâmica sobre o cais de Pidgiguiti e, mais à frente, o ilhéu do rei, situados entre os estuários do rio Geba e do rio Mansôa. Rodando ligeiramente a cabeça para a direita, no prolongamento para o horizonte, a imensidão das águas prateadas do Atlântico que, com a luz do dia muito clara, a esta hora da manhã, consegue-se avistar, ao longe, sob o efeito de uma mancha nublada, a pairar sobre as águas, as primeiras ilhas do arquipélago dos Bijagós.
Quando me viro de costas para o mar e olho na direção de uma grande praça, dentro do quartel, vejo, a curta distância, uma paisagem terrivelmente desoladora e aterradora como que por instantes, a assombrar este estado de graça, a passagem de uma nuvem medonha nos toldasse a vista e a alma e nos privasse da luz irradiante sob um céu azul cristalino. O sentimento de encanto da descrição do parágrafo anterior se esfria e desvanece com cortes de arrepios.
São as viaturas utilizadas para o transporte de militares em operações de combate: GMCês; Berliets; Unimogs; Jipes; peças de artilharia e toda a tralha de sucata bélica que aqui é depositada, calcinada e retorcida, feita em destroços provocados pelo efeito dos rebentamentos das minas e morteiradas de obuses da artilharia inimiga.¹
Imagino…! Quando este amontoado apocalíptico de ferros torcidos está neste estado…!
Ouve-se dizer, entre dentes, que o inimigo tem tão bom ou melhor equipamento bélico que nós e que este é fornecido pelos russos e chineses. Têm artilharia pesada, aviões de combate e vedetas marítimas. São apoiados pelos países vizinhos e alguns da Europa e que, até, grande parte do território da Guiné está na posse deles.
Ouve-se ainda dizer, aqui à boca-cheia, que a nossa sorte tem sido o equipamento deles não estar a ser bem utilizado por eles não estarem treinados para o manejo do mesmo, senão a cidade de Bissau já teria sido bombardeada mas, e a população está convencida, que a qualquer momento isso pode acontecer, uma vez que, no território controlado pelos terroristas, têm a cidade ao alcance dos seus mísseis.
Uns dias depois de ter escrito o capítulo anterior, encontrei, num café da cidade, um dos camaradas dos Comandos. Sentei-me à mesa onde ele já estava com outros camaradas e começamos a conversar.
Quase sempre, inevitavelmente, o tema das nossas conversas começa por qualquer assunto variado e acaba, invariavelmente, em mulheres.
Em uma deixa da conversa perguntei-lhe, ainda dentro do contexto dos assuntos variados, o que se passou naquele dia em que ele e o outro camarada debandaram a toda a pressa ao zumbir da sirena.
Disse-me, com aquele natural à-vontade de quem se julga já «velhinho»² nestas jornadas e, pareceu-me até, com uma certa dose desproporcionada de vaidade e frieza sobranceira, que tinham ido fazer uma intervenção de resgate de camaradas que tinham caído numa emboscada e estavam, de todos os lados, a levar bordoada dos “turras”.
Para a operação, havia descolado uma esquadrilha de oito helicópteros, 20 Comandos Operacionais, para resgatarem parte de uma Companhia perdida no mato, (na mata; no capim), a «embrulhar» debaixo de fogo serrado do inimigo. Continuando, diz-me que foram todos resgatados: uns regressaram à unidade de onde tinham saído; outros vieram para o hospital, alguns com ferimentos muito graves, tendo dois, “lerpado”, ido diretamente para a morgue do hospital.
Para que a narrativa não ficasse incompleta, continuou dentro do preâmbulo da mesma e de outros entremeios, num tom de alarde exagerado, como que a rematar a conversa e, ainda, com um certo grau de enaltecimento e galhardia, sob o lema: «audaces fortuna juvat», que, sendo ele um Comando, pertence a uma tropa de elite, (como os Paraquedistas e Fuzileiros Especiais)³, com treino e preparação física para intervenções rápidas de flagelo ao inimigo em condições de total adversidade; com um moral e psicologia muito elevados para enfrentar, de peito aberto, as muitas situações de perigo, não se deixando impressionar ou desmoralizar pela presença de camaradas mortos ou num estado calamitoso.
A conversa continuou ainda pela noite dentro acabando, próximo da debandada, como é costume acabar.
Ontem, Domingo, e toda a noite de Sábado, estive de serviço num armazém, ainda em construção, (faltava-lhe parte do telhado), no cais do Pidjiguiti, a guardar os ‘piriquitos’⁴ acabadinhos de chegar da Metrópole.
Aqui, os noviços são apelidados com este nome; no Continente chamam-lhes «maçaricos».
Eu, com o tempo que tenho disto, também pertenço ao grupo dos ‘piras’⁴ que é o diminutivo de ‘piriquitos’. Daqui até pertencer ao grupo dos «velhinhos» ainda vou gastar muita tinta.
Enquanto aqui permaneci, o odor que senti quando desembarquei, já não era tão ativo. As narinas vão-se habituando até que este cheiro pútrido faça parte das nossas vidas.
Na Quinta-feira de noite e Sexta todo o dia estive de guarda a bordo do navio NIASSA que chegou com um contingente de tropas e víveres para a Manutenção Militar.
Quem fazia a descarga eram os nativos e eu e outro camarada vigiava-mos a mercadoria que era descarregada para barcaças e estas iam descarregar no cais. Vi alguma mercadoria a ser roubada e, tanto eu como o meu camarada, fechava-mos os olhos e fazíamos de conta que não se passava nada.
Sinto alguma repulsa ao ver como grande parte desta gente muito primitiva e muitíssimo pobre, vivendo socialmente num atraso confrangedor de meter dó. Fiquei impressionado ao vê-los comer em umas gamelas com os dedos ou na concha da mão arroz ou farinha de mandioca, suponho que cozidos, e acocorados passavam a tal gamela uns aos outros, num gesto fraterno, ao mesmo tempo que lambiam as mãos. Alguns, devido à posição acocorada, e à roupa andrajosa que usavam, via-se, desnudadas, as partes sexuais.
Impressionei-me ainda mais ao ver as mulheres, igualmente desnudadas da cintura para cima, com os peitos sugados e pendurados da pele; crianças nuas, famintas e tristes; umas, à sua roda; outras, a sorverem nos peitos sugados e, ainda, da forma como todos eles eram tratados, não pelos brancos, mas por outros pretos. Provavelmente, estes a mando dos outros.
No quartel de Adidos, onde estou provisoriamente colocado, juntam-se à porta d’armas, todos os dias, à hora das refeições dos militares, um grande número de gentes, como atrás descrevi, para receberem numas latas e gamelas improvisadas os restos do nosso comer. É um espetáculo triste e constrangedor vê-los, à torreira do sol, quase nus, esqueléticos, à mistura velhos, alguns deles arrastados pelo chão ou fincados em paus, mulheres de peitos achatados e sugados com crianças às costas seguras com um pano amarrado à cintura, algumas segurando trouxas à cabeça, muitas delas prenhes. Muitas crianças nuas, ranhosas e sujas, pelo chão, com barrigas desmesuradamente grandes e o umbigo, nalguns casos, exageradamente saliente, guerreando-se por migalhas debaixo de um calor escaldante. Esta cena deveras confrangedora e deprimente repete-se todos os dias de manhã ao almoço e à noite ao jantar.
Estas imagens fazem-me lembrar que, também na Metrópole, quando estava a fazer a recruta em Elvas e Torres Novas quando tirava a especialidade, à volta das messes e do rancho das praças, havia filas formadas de pessoas muito pobres e famintas, munidas de panelas para receberem as sobras. Também estas filas eram formadas por pessoas idosas, crianças e mulheres, ainda jovens, de rostos envelhecidos, que bem poderiam ser as Mães e as mulheres daqueles que já aqui andariam a fornecer «carne pra canhão».
Quando estive de guarda a bordo do NIASSA encontrei um camarada que esteve comigo detido na prisão da Escola Prática do Serviço de Material em Sacavém, quando cumpria-mos 15 dias de prisão disciplinar agravada, motivo por que pr’aqui viem0s «desterrados»; «pró cu de judas».
Na Sexta-feira passada houve um grande desfile militar, a descer a avenida central da Cidade, das tropas que tinham acabado a comissão de serviço e iam embarcar no navio NIASSA, para a Metrópole; a subir, as tropas acabadas de chegar, cruzando-se a meio da avenida com as suas garbosas e estrondosas fanfarras.
Acontecimentos destes, numa terra onde a única diversão é a guerra, são sempre motivo para grande festa. «Dia grande», como dizem os naturais.
Depois do desfile das tropas, há sempre danças originais dos diversos grupos étnicos oriundos do interior, exibindo os seus trajes típicos, cheios de “manga di ronco”, (muitos penduricalhos), que evidenciam a origem das suas raças.
Quando me viro de costas para o mar e olho na direção de uma grande praça, dentro do quartel, vejo, a curta distância, uma paisagem terrivelmente desoladora e aterradora como que por instantes, a assombrar este estado de graça, a passagem de uma nuvem medonha nos toldasse a vista e a alma e nos privasse da luz irradiante sob um céu azul cristalino. O sentimento de encanto da descrição do parágrafo anterior se esfria e desvanece com cortes de arrepios.
São as viaturas utilizadas para o transporte de militares em operações de combate: GMCês; Berliets; Unimogs; Jipes; peças de artilharia e toda a tralha de sucata bélica que aqui é depositada, calcinada e retorcida, feita em destroços provocados pelo efeito dos rebentamentos das minas e morteiradas de obuses da artilharia inimiga.¹
Imagino…! Quando este amontoado apocalíptico de ferros torcidos está neste estado…!
Ouve-se dizer, entre dentes, que o inimigo tem tão bom ou melhor equipamento bélico que nós e que este é fornecido pelos russos e chineses. Têm artilharia pesada, aviões de combate e vedetas marítimas. São apoiados pelos países vizinhos e alguns da Europa e que, até, grande parte do território da Guiné está na posse deles.
Ouve-se ainda dizer, aqui à boca-cheia, que a nossa sorte tem sido o equipamento deles não estar a ser bem utilizado por eles não estarem treinados para o manejo do mesmo, senão a cidade de Bissau já teria sido bombardeada mas, e a população está convencida, que a qualquer momento isso pode acontecer, uma vez que, no território controlado pelos terroristas, têm a cidade ao alcance dos seus mísseis.
Uns dias depois de ter escrito o capítulo anterior, encontrei, num café da cidade, um dos camaradas dos Comandos. Sentei-me à mesa onde ele já estava com outros camaradas e começamos a conversar.
Quase sempre, inevitavelmente, o tema das nossas conversas começa por qualquer assunto variado e acaba, invariavelmente, em mulheres.
Em uma deixa da conversa perguntei-lhe, ainda dentro do contexto dos assuntos variados, o que se passou naquele dia em que ele e o outro camarada debandaram a toda a pressa ao zumbir da sirena.
Disse-me, com aquele natural à-vontade de quem se julga já «velhinho»² nestas jornadas e, pareceu-me até, com uma certa dose desproporcionada de vaidade e frieza sobranceira, que tinham ido fazer uma intervenção de resgate de camaradas que tinham caído numa emboscada e estavam, de todos os lados, a levar bordoada dos “turras”.
Para a operação, havia descolado uma esquadrilha de oito helicópteros, 20 Comandos Operacionais, para resgatarem parte de uma Companhia perdida no mato, (na mata; no capim), a «embrulhar» debaixo de fogo serrado do inimigo. Continuando, diz-me que foram todos resgatados: uns regressaram à unidade de onde tinham saído; outros vieram para o hospital, alguns com ferimentos muito graves, tendo dois, “lerpado”, ido diretamente para a morgue do hospital.
Para que a narrativa não ficasse incompleta, continuou dentro do preâmbulo da mesma e de outros entremeios, num tom de alarde exagerado, como que a rematar a conversa e, ainda, com um certo grau de enaltecimento e galhardia, sob o lema: «audaces fortuna juvat», que, sendo ele um Comando, pertence a uma tropa de elite, (como os Paraquedistas e Fuzileiros Especiais)³, com treino e preparação física para intervenções rápidas de flagelo ao inimigo em condições de total adversidade; com um moral e psicologia muito elevados para enfrentar, de peito aberto, as muitas situações de perigo, não se deixando impressionar ou desmoralizar pela presença de camaradas mortos ou num estado calamitoso.
A conversa continuou ainda pela noite dentro acabando, próximo da debandada, como é costume acabar.
Ontem, Domingo, e toda a noite de Sábado, estive de serviço num armazém, ainda em construção, (faltava-lhe parte do telhado), no cais do Pidjiguiti, a guardar os ‘piriquitos’⁴ acabadinhos de chegar da Metrópole.
Aqui, os noviços são apelidados com este nome; no Continente chamam-lhes «maçaricos».
Eu, com o tempo que tenho disto, também pertenço ao grupo dos ‘piras’⁴ que é o diminutivo de ‘piriquitos’. Daqui até pertencer ao grupo dos «velhinhos» ainda vou gastar muita tinta.
Enquanto aqui permaneci, o odor que senti quando desembarquei, já não era tão ativo. As narinas vão-se habituando até que este cheiro pútrido faça parte das nossas vidas.
Na Quinta-feira de noite e Sexta todo o dia estive de guarda a bordo do navio NIASSA que chegou com um contingente de tropas e víveres para a Manutenção Militar.
Quem fazia a descarga eram os nativos e eu e outro camarada vigiava-mos a mercadoria que era descarregada para barcaças e estas iam descarregar no cais. Vi alguma mercadoria a ser roubada e, tanto eu como o meu camarada, fechava-mos os olhos e fazíamos de conta que não se passava nada.
Sinto alguma repulsa ao ver como grande parte desta gente muito primitiva e muitíssimo pobre, vivendo socialmente num atraso confrangedor de meter dó. Fiquei impressionado ao vê-los comer em umas gamelas com os dedos ou na concha da mão arroz ou farinha de mandioca, suponho que cozidos, e acocorados passavam a tal gamela uns aos outros, num gesto fraterno, ao mesmo tempo que lambiam as mãos. Alguns, devido à posição acocorada, e à roupa andrajosa que usavam, via-se, desnudadas, as partes sexuais.
Impressionei-me ainda mais ao ver as mulheres, igualmente desnudadas da cintura para cima, com os peitos sugados e pendurados da pele; crianças nuas, famintas e tristes; umas, à sua roda; outras, a sorverem nos peitos sugados e, ainda, da forma como todos eles eram tratados, não pelos brancos, mas por outros pretos. Provavelmente, estes a mando dos outros.
No quartel de Adidos, onde estou provisoriamente colocado, juntam-se à porta d’armas, todos os dias, à hora das refeições dos militares, um grande número de gentes, como atrás descrevi, para receberem numas latas e gamelas improvisadas os restos do nosso comer. É um espetáculo triste e constrangedor vê-los, à torreira do sol, quase nus, esqueléticos, à mistura velhos, alguns deles arrastados pelo chão ou fincados em paus, mulheres de peitos achatados e sugados com crianças às costas seguras com um pano amarrado à cintura, algumas segurando trouxas à cabeça, muitas delas prenhes. Muitas crianças nuas, ranhosas e sujas, pelo chão, com barrigas desmesuradamente grandes e o umbigo, nalguns casos, exageradamente saliente, guerreando-se por migalhas debaixo de um calor escaldante. Esta cena deveras confrangedora e deprimente repete-se todos os dias de manhã ao almoço e à noite ao jantar.
Estas imagens fazem-me lembrar que, também na Metrópole, quando estava a fazer a recruta em Elvas e Torres Novas quando tirava a especialidade, à volta das messes e do rancho das praças, havia filas formadas de pessoas muito pobres e famintas, munidas de panelas para receberem as sobras. Também estas filas eram formadas por pessoas idosas, crianças e mulheres, ainda jovens, de rostos envelhecidos, que bem poderiam ser as Mães e as mulheres daqueles que já aqui andariam a fornecer «carne pra canhão».
Quando estive de guarda a bordo do NIASSA encontrei um camarada que esteve comigo detido na prisão da Escola Prática do Serviço de Material em Sacavém, quando cumpria-mos 15 dias de prisão disciplinar agravada, motivo por que pr’aqui viem0s «desterrados»; «pró cu de judas».
Na Sexta-feira passada houve um grande desfile militar, a descer a avenida central da Cidade, das tropas que tinham acabado a comissão de serviço e iam embarcar no navio NIASSA, para a Metrópole; a subir, as tropas acabadas de chegar, cruzando-se a meio da avenida com as suas garbosas e estrondosas fanfarras.
Acontecimentos destes, numa terra onde a única diversão é a guerra, são sempre motivo para grande festa. «Dia grande», como dizem os naturais.
Depois do desfile das tropas, há sempre danças originais dos diversos grupos étnicos oriundos do interior, exibindo os seus trajes típicos, cheios de “manga di ronco”, (muitos penduricalhos), que evidenciam a origem das suas raças.
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¹ [Desta visão, aviva-se a minha memória de cada vez que vejo, nos tempos que correm, nos canais da informação as imagens macabras da amálgama de ferros torcidos e dos corpos encarcerados e dilacerados nos acidentes de viação nas nossas estradas.
Já na altura o regime propagandeava que se vertiam mais lágrimas pelos que morriam nas estradas do Continente − em acidentes rodoviários − do que pelos mortos e estropiados da guerra das Colónias.
Dizia-se ainda que a maioria dos mortos da guerra tinha origem em acidentes de vária ordem que nada tinham a ver com as mortes em combate.]
² [Este camarada chegou à Guiné, em Junho deste ano, com a primeira companhia de Comandos mobilizada para esta Província.]
³ [Estes três grupos das tropas especiais, − “tropa empinada”, como nós lhe chamava-mos; de ombros pra cima, queixo levantado e peito pra fora − dotados de uma grande capacidade de sacrifício e resistência física, de ampla mobilidade, autonomia de combate e auto suficiência, de apoio às tropas de quadrícula estacionadas no ‘mato’, no teatro da guerrilha, muitas vezes se confrontam entre si com a exaltação dos seus brios.
Cada tropa destas tem os seus conceitos éticos e o seu espírito de união, como se fossem irmãos de sangue. Na cidade, andam sempre aos magotes; evitam cruzar-se com outros grupos das forças especiais por se julgarem ainda mais especiais e rivalizarem, entre si, a defesa e proteção da outra tropa, “a tropa macaca”, como eles chamam ao resto da maralha, e, nos cafés e esplanadas da cidade, têm os seus espaços referenciados. Em operações conjuntas, no ‘mato’, esquecem as rivalidades, atuam com elevado espírito de equipa e abnegação, como se fossem um só corpo − e uma só alma − de intervenção, com o qual, a tropa flagelada pelo inimigo, pode contar para além dos limites da normalidade.]
⁴[Periquitos]
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