1966
30 de Dezembro
Sexta-feira, 22h00
Recebi
correspondência de um camarada que está no ‘mato’,
dos meus pais, do meu irmão e da minha namorada.
Estou muito
esmorecido com a minha namorada. Ou antes, com as suas cartas. Elas não me
dizem nada. Só me aborrecem e entristecem ainda mais.
Amanhã vai haver uma ceia na passagem do
ano. Vê-se já alguma decoração de festa, no refeitório.
Fala-se que, entre outras iguarias, vai haver
leitão assado à moda da Bairrada, vinho branco espumoso da mesma região e já
todos começam a aguçar o paladar para a lauta ceia. O espumante não vai faltar
e também não faltarão as algazarras, as vivas e a folia. É natural. Estes
momentos também servem para descarregar o que vai na alma de cada um.
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