1968
15 de Fevereiro
Quinta-feira, 14h00
Café Tamar. Acabei agora mesmo de escrever ao meu Pai a pedir-lhe 200 escudos.
Comprei uma maquineta para ampliar os retratos que a
seguir desenho e pinto. Custou-me, este brinquedo, 420 escudos. Como não tinha
esta quantia pedi-a emprestada ao capitão Campos, meu chefe de serviço, o qual,
com muita surpresa minha, se prontificou a emprestar-ma.
Estou a fazer alguns desenhos e o valor que por
eles vou cobrar não chega para pagar a máquina. Ou melhor, até chegaria, se não
fossem as outras despesas. Mas, para não falhar o compromisso para com o meu
chefe, arrisquei a pedir algum ao meu
velhote.
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Praça do Império com o
Monumento ao Esforço da Raça
e o Palácio do Governo Militar |
Antes ampliava as fotografias à mão levantada ou pelo
sistema da quadrícula o que, é preciso um rigor muito grande, para manter as
proporções. Agora este «brinquedo» e,
de facto, não passa de um brinquedo permite-me projetar e ampliar com exatidão
as fotografias, com o tamanho que pretendo, sem correr o risco de alterar os
contornos das feições, das cores e sombreados.
Já rapei o meu bigode. Não que fosse obrigado, mas por já
não me sentir bem com ele. Era um bigode bizarro que dava muito nas vistas. Bem!
Assim já me sinto outro homem. Todos quantos me conheciam se admiraram de o ter
deitado abaixo, pois já estavam
habituados a verem-me com ele por ser um bigode fora do comum e eu manifestava,
até, grandes cuidados e afeição por ele.
O major David, também chefe da secção, vai embora este mês
para a Metrópole. Fico com imensa pena porque é uma belíssima pessoa. O capitão Campos, também vai embora no próximo
mês de Março, por terminar a sua comissão de serviço. Estamos todos na
expectativa de quem virá chefiar a secção. Tanto
0 major, e apesar de tudo, como o capitão são boas pessoas. Tirando aquelas
mesquinhices do capitão, tudo andou muito bem e todos nós, de certa forma,
gozávamos de uma certa liberdade.

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